/ / / / / / / / / The Devil All The Time | O que esperar da próxima adaptação da Netflix

The Devil All The Time | O que esperar da próxima adaptação da Netflix

O livro “O Mal Nosso de cada dia” (The Devil All the Time, em inglês), do autor Donald Ray Pollock foi uma das escolhas da Netflix para compor a lista de adaptações de 2020. 

Com o Jake Gyllenhaal como produtor executivo, com a direção assinada por Antonio Campos e um elenco de peso que conta com Tom Holland, Bill Skarsgard, Riley Keough, Jason Clarke, Sebastian Stan, Robert Pattinson, Haley Bennett, Mia Wasikowska, Eliza Scanlen, Harry Melling e Pokey LaFarge o filme tem como propósito narrar a história da família Russell.

Assim como o livro o longa se passará em um cenário pós-segunda guerra mundial e em dois lugares diferentes, a cidade Knockemstiff em Ohio e em Coal Creek na Virginia Ocidental. Segundo algumas pessoas que já assistiram ao filme, o autor Donald Ray Pollock estará presente no longa, como narrador e trará alguns trechos chaves do livro como complementação de algumas cenas. 

Diferente dos Estados Unidos, onde o livro e filme possuem o mesmo nome, aqui no Brasil o longa chegou com um título um pouco diferente do livro, se chamara “O Diabo de Cada Dia”, uma tradução mais próxima do título original. 

A volta de Willard Russell da guerra é o ponto inicial da trama, em sua volta para casa o veterano se apaixona por Charlotte com quem ele constrói uma família em Ohio e para manter a segurança do filho pequeno, Arvin, decidem se mudar para uma zona rural em Knockemstiff. A vida da família começa a desmoronar quando Charlotte descobre que está com câncer, Russell tenta de todas as formas salvar a jovem esposa, constrói um altar na mata, oferece sacrifícios, mas Charlotte sucumbi com dores agoniantes. 

Arvin vive a tormenta dos pais e após perder ambos é encaminhado para Coal Creek para viver com a avó e com Lenora, uma garota órfã, filha de um pastor excêntrico que usava aranhas e insetos em suas pregações e da falecida Helen. 

Em paralelo a vida não para em Ohio, Carl e Sandy Henderson são uma dupla de serial killer que percorre as estradas em direção ao sul dos Estados Unidos atrás de modelos, que tem a sua morte fotografada pelo bizarro fotografo Carl. Sandy é irmã de Lee Bodecker, que está em atual campanha para o posto de Xerife da cidade e por isso usa do seu poder para conquistar aliados.  

O jovem Arvin terá que lidar com as mazelas da vida enquanto cresce atormentado pelo seu passado, carregando em si uma fúria e violência efervescentes, ele andará por caminhos duvidosos em que terá que confrontar seus conceitos morais. 

Com um elenco que possui tanto atores talentosos, podemos esperar atuações memoráveis, já que os personagens do livro são caricatos e quase todos com traços sombrios e perversões. Em um ambiente que possui uma devoção religiosa tão forte, veremos representações de pessoas que estão em constante guerra entre o seu lado bom e ruim, com isso diversas facetas da mesma pessoa, o que pode potencializar ainda mais as atuações. 

A história, no livro, é dividida em 7 partes, se inicia com a história de Willard, Charlotte, Roy e Helen e na sequência vai desenvolvendo a história de Arvin, Carl, Sandy, Lee, Lenora, o pastor Preston Teagardin, Roy e Theodor. Até todas as histórias se conectarem, no livro o autor trabalha com um vai e vem de diferentes cenas e momentos, dessa forma, acredito que o longa não deva ignorar e devem adotar uma trama parecida. Com a confirmação do autor como narrador, podemos esperar uma dinâmica parecida com um narrador onisciente que conduz o telespectador para pontos chaves nas histórias individuais, a fim de contextualizar o desfecho.

Quanto as escolhas dos personagens, acredito que todos foram caracterizados para serem semelhantes ao livro, mas para os que leram, sabem que Preston não é bonito como Robert Pattinson, não entanto, como estamos em um campo visual e o personagem possui um alto poder persuasivo, acredito que fica melhor para a compreensão trazer uma imagem melhorada do personagem e que converse diretamente com a sua personalidade. Quanto ao Carl, eu havia desenhado uma imagem nojenta de um personagem sujo, muito baseada nas ações dele, então acho que acaba caindo na mesma estratégia que tiveram com a imagem de Preston. 

“Embora não haja destaques individuais no elenco, todos eles se dedicam a um trabalho intensamente comprometido que nos amarra aos apuros de seus personagens.”, relata Courtney Howard do Fresh Fiction.

A atuação de Pattinson, como sempre, tem recebido boas críticas, já que ele conseguiu encarnar um personagem persuasivo, dissimulado e que usara sua posição de pastor para matar usar vontades pecaminosas.    

Já o famoso mocinho e sonho das adolescentes desse século, Tom Holland, dará vida a um personagem que está muito longe de ser herói, creio que deva ter sido um desafio para o ator, se vestir de anti-herói e retratar um jovem que carrega em si uma violência quase velada, mas que vai se intensificando durante a trama. Fora todos os dilemas de retratar um personagem que vive em um ambiente hostil e em um cenário onde a violência é normal, eles ainda têm o desafio de carregar no sotaque. 

Roy, interpretado por Harry Melling, com base no pouco em que ele aparece no trailer, parece uma das personificações mais fiel ao livro, um lunático que come insetos para provar, durante as suas pregações, que é protegido por Deus e que possui uma estranha relação com seu primo e companheiro de pregação, Theoder. O primo que perdeu o movimento das pernas, em um desses atos estranhos de fé que eles utilizam em pregação, é conhecido por tocar violão enquanto Roy prega e será interpretado por Pokey LaFarge. 

Willard Russell é um veterano que traz com si traumas de guerra, os quais sempre assombram os seus pesadelos, no entanto, mesmo com esses traumas, ele parece uma homem modesto e bom, que possui uma vida estabelecida com Charlotte, um bom pai, esforçado e trabalhador, mas que possui uma veia raivosa, a qual é capaz de esmurrar qualquer um que desrespeite a sua mulher ou alguém que ele ame. O personagem passa por um transtorno enquanto enfrenta a doença da esposa, onde ele vai aos poucos enlouquecendo. Ele é descrito como um homem muito bonito, então eu não poderia pensar em alguém melhor do que Bill Skarsgard para dar vida a um personagem que em algum momento se tornará extremamente perturbado. Bill já é conhecido por seus papeis excêntricos, como Pennywise do filme It e Roman Godfrey da série Hemlock Grove.


Outra personagem que passará por uma constante transformação durante a trama, será Sandy, que será interpretada por Riley Keough. Ela vai de uma garota calma do interior, para uma serial killer que vive um relacionamento estranho e por vezes abusivos, sem contar nos diversos traumas sofridos durante a sua vida. Sandy e Lee foram abandonados pelo pai, ao que parece isso pesa na vida da garota, por mais que não seja tão explorado no livro, ela está em uma busca incessante por amor masculino e desde cedo tomou as suas piores decisões quando estava sendo impulsionada por um homem.  


Estou ansiosa para ver como irão retratar a violência no filme, por mais que em alguns momentos do livro algumas cenas de violência, do ato em si não é descrito de forma sangrenta como um terror gore, mas a carga emocional delas é muito pesada, significativa e importante para a construção de cada personagem. 

A fotografia vista no trailer parece bem fiel a época escolhida para se passar a história, com uma tonalidade mais sépia e em tons mais envelhecidos, retratando não só a época, mas também endossando a sensação de apreensão que a história do thriller transmite. 

O Rotten Tomatoes diz que segundo alguns críticos o filme teria funcionado melhor se fosse uma minissérie, mas que o elenco e principalmente a atuação de Tom e Robert fazem a sombria trama ser incrível. 

A trama violenta que ressuscita esse cenário do meio oeste gótico, trará dos livros as mesmas temáticas de cunho social, com as problemáticas que continuam em foco hoje em dia, como por exemplo, o fanatismo religioso e as distorções morais e sociais. Segundo John DeFore do Hollywood Reporter, “Uma ou duas vezes, a violência é chocante, mesmo quando sabemos que está chegando, mas muitas vezes é apenas um amontoado e alguns espectadores se sentirão como participantes culpados de um turismo infeliz”. 

De uma coisa temos certeza, essa será uma trama com atuações brilhantes e um terror quase fiel ao livro. 

O filme estreia na Netflix no dia 16 de setembro e a versão em português do livro pode ser encontrada na DarkSide Books. 

Assista ao trailer:

The Devil All The Time | O que esperar da próxima adaptação da Netflix The Devil All The Time | O que esperar da próxima adaptação da Netflix Reviewed by Ana Caroline Moraes on Rating: 5

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