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Crítica | Dumbo


A nova versão de DUMBO, dirigida por Tim Burton, é sensível e emocionante, como a animação de 1941, mas com mais nuances.
Versão live-action da clássica animação estreou nos cinemas na última quinta-feira, 28/03.

“Dumbo” (1941) é uma das animações mais queridas da Disney. A história do pobre elefantinho que consegue voar por causa do tamanho de suas orelhas é um clássico absoluto e, agora, cerca de 78 anos depois, inspirou um remake em live-action dirigido por Tim Burton.


Apesar de em 1996 o estúdio ter lançado uma magnífica versão live-action de “101 Dálmatas” (e, em 2000, a sequência “102 Dálmatas”), quando se fala na onda de adaptações de animações para filmes com atores reais que o estúdio tem seguido agora, é fato que tudo começou em 2010, com “Alice no País das Maravilhas”. O filme, tão bem realizado quanto DUMBO, também foi dirigido por Burton. Mas se tem algo a se notar entre esses dois grandes sucessos do diretor, é que enquanto Alice o deixava numa espécie de zona de conforto, considerando toda a excentricidade da obra de origem, DUMBO o leva a outros ares e mostra o tão aguardado amadurecimento artístico que muitos fãs tanto desejavam há tanto tempo.


O filme é, sem sombra de dúvidas, o melhor feito pelo diretor nos últimos anos. Assim como outras adaptações de animações para live-actions realizadas pelo estúdio, o filme se inspira na animação homônima, mas não reproduz literalmente a mesma história contada anteriormente – apesar de algumas ótimas rimas facilmente perceptíveis.
Na nova versão, por exemplo, ao contrário da animação, não são outros animais que ajudam Dumbo em sua jornada. Agora, são duas crianças que o acompanham: Milly (Nico Parker) e Joe Farrier (Finley Hobbins). Os dois são filhos de Holt Farrier (Colin Farrell), veterano da Primeira Guerra Mundial. A família é membro do circo quase falido dos Irmãos Medici (sendo que existe apenas um, Max Medici, interpretado por Danny DeVito), onde Holt se apresentava como adestrador de cavalos antes de ir para a guerra. Após seu retorno, ele vê a vida que estava acostumado virar de ponta cabeça – como se não bastasse ter perdido um braço em combate: sua esposa, assim como outros membros do circo, morreu; seus cavalos, foram vendidos; e, por isso, agora terá de cuidar dos elefantes.


Uma das elefantas que Holt passa a cuidar está grávida e o bebê a quem dá à luz é Dumbo. O fofo filhote tem orelhas grandes e, por causa delas, é capaz de alçar voo. A capacidade fantástica de Dumbo, a princípio, é notada apenas pelas crianças. Os adultos, por outro lado, zombam e estranham a aparência incomum do filhote. Mas, ao verem o elefantinho voar, não demora até que o tornem a atração principal do circo e, consequentemente, Dumbo se torne famoso, chamando a atenção do grande empresário V. A. Vandevere (Michael Keaton).
É seguro afirmar, sem exagero, que nova versão para a icônica história é a melhor adaptação de uma animação para live-action dos estúdios Disney até agora. Toda sensibilidade do roteiro original continua impressa no novo título, que conta com ainda mais emoção e aventuras. Os mais crescidos que se emocionaram com o elefantinho de 1941 se emocionarão novamente, desta vez com a versão de Burton, que conta, para além da história de Dumbo, com ainda mais nuances, mais adultas. Mas isso não quer dizer que as crianças também não têm a sua vez. Se para um adulto ver Dumbo voar, agora numa versão mais realística, é sinônimo de nostalgia, para uma criança é pura magia.


Com cores fantásticas e ligeiramente menos sombrio do que de costume, se compararmos com outros filmes do diretor, a versão para DUMBO de Burton deve agradar a toda a família, com uma história de superação e, sobretudo, compaixão (isso sem contar a mais que necessária e urgente mensagem contra os maus-tratos a animais). Diferentemente da inconstância apresentada por Burton em seus últimos trabalhos, o filme traz o diretor de volta à cena tornando a criar uma expectativa por outros títulos dele que não era criada já havia um tempo. Se há uma sentença para a realização do diretor, é correto dizer que este é um trabalho enxuto, com a dose perfeita – e não exagerada para quem não está acostumado à excentricidade Burtoniana – da identidade artística, visual e narrativa.
Todo clima, todo estilo e toda a identidade de cada elemento, os figurinos, os cenários, a fotografia, a trilha sonora (de Danny Elfman, colaborador de longa data do diretor), os efeitos especiais incrivelmente realísticos... parecem se comunicar e transmitir uma mesma mensagem. No futuro, é certo dizer que, com certeza, ao ver um frame ou algum elemento do filme, facilmente o público se recordará de onde veio e quem o fez, apesar de, saliento novamente, não haver nenhum excesso.

*Texto por Bruno Carvalho

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