Crítica | Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

Eu juro solenemente não contar nenhum spoiler

Meses após ter sido capturado pelo Macusa (Congresso Mágico dos Estados Unidos da América), Gellert Grindelwald (Johnny Depp) cumpre sua promessa e foge do encarceramento logo no início de ANIMAIS FANTÁSTICOS: OS CRIMES DE GRINDELWALD. Em Paris, o misterioso Credence Barebone (Ezra Miller), com a ajuda de Nagini (Claudia Kim), procura por resquícios do seu passado. Newt Scamander (Eddie Redmayne), agora de volta à Inglaterra, recebe uma proposta para se tornar auror e se juntar ao seu irmão mais velho, Theseu Scamander (Callum Turner) na busca por Credence. Depois de recusar a proposta, Newt se encontra com Albus Dumbledore (Jude Law) – aqui mais jovem do que em HARRY POTTER. Dumbledore pede a Newt para encontrar Credence antes de Grindelwald e dos aurores.

Albus Dumbledore (Jude Law), diretor de Hogwarts na saga de Harry Potter, ainda é professor em OS CRIMES DE GRINDELWALD.
Para os fãs do mundo mágico criado por J.K. Rowling, o roteiro de OS CRIMES DE GRINDELWALD, escrito por ela, lembra em muitos aspectos o que se viu em HARRY POTTER. Na primeira saga, de onde surgiu ANIMAIS FANTÁSTICOS, a escritora deixou, ao longo dos sete livros, questões em aberto que foram sendo, gradativamente, respondidas. Na saga atual, não é diferente. Muitos mistérios e dúvidas surgem e, certamente, continuarão a surgir. E isso pode ser um problema aos ansiosos que não conhecem o estilo de Rowling. Por outro lado, os que já estão habituados com o estilo, como eu, sabem que todas as dúvidas, cedo ou tarde, terão fim.

Exatamente por já conhecer o jeito J.K. Rowling de contar histórias, é que digo que tanto somente OS CRIMES DE GRINDELWALD, como também toda saga atual até agora, é e estão sendo muitíssimo bem desenvolvidos.

Claudia Kim dá vida à portadora do maledictus Nagini, mencionada anteriormente em Harry Potter, e Ezra Miller é Credence Barebone, portador de um obscurus.
Muito tem se falado, aliás, sobre o roteiro. Quem elogia, como faço aqui, provavelmente já conhece o mundo mágico da escritora. Quem critica, é provável que ainda não. E digo isso sob o meu local de fala: alguém que cresceu acompanhando as histórias maravilhosas que Rowling escreveu e sabe que toda informação surpreendente que surgisse no meio caminho teria explicação. Não há, como prováveis desinformados têm dito, “correria” ou “pressa” em habituar o espectador à trama principal e suas respectivas subtramas. Muito pelo contrário, há detalhes, maiores e menores, importantíssimos para o agora e para o futuro da saga.

Logo no começo do filme, Grindelwald (Johnny Depp) escapa da custódia dos aurores.
Este é, eu diria, um filme emocionante de transição, dentro de uma saga que ainda vai render muita emoção. Diferentemente de seu antecessor, Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016), OS CRIMES DE GRINDELWALD é mais sombrio e define as expectativas que deveremos ter para com cada personagem que segue na saga (mesmo que tudo ainda possa mudar nos próximos filmes). Tem espaço para diversão, aventura e romance, mas, principalmente, grandes reviravoltas de tirar o fôlego e explodir as cabeças e muita (muita mesmo!) nostalgia para os fãs de longa data.

Eddie Redmayne segue como o magizoologista Newt Scamander, protagonista da saga.
Em aspectos técnicos, o filme também não desaponta nem um pouco. Apesar de a narrativa do longa lembrar mais o jeito com que a história do “menino que sobreviveu” foi contada (e isso não é nenhum defeito) – se comparada à narrativa do primeiro filme da saga atual –, o design de produção tem todo o luxo do seu antecessor. Os figurinos (que, inclusive, renderam o primeiro Oscar ao mundo bruxo pelo filme de 2016) mantêm-se impecáveis. A maquiagem, com destaque para o próprio vilão Grindelwald e, principalmente, um Nicolas Flamel (Brontis Jodorowsky) de cerca de 600 anos, não fica atrás. A Paris recriada, tal qual era na década de 1920, é simplesmente deslumbrante. E os animais fantásticos... ah, como são, de fato, fantásticos!

Brontis Jodorowsky interpreta Nicolas Flamel, alquimista criador da Pedra Filosofal, que dá título ao primeiro livro/filme de Harry Potter.
OS CRIMES DE GRINDELWALD é um filme magnífico e que terá lugar cativo no coração de todos os potterheads. De todas as reviravoltas, uma em especial ficará guardada na memória e, certamente, figurará nas futuras listas de grandes plot twists do cinema, seja lá qual for a explicação que termos mais à frente (confiem em Rowling). A história é tensa e, por diversas vezes, é capaz de te deixar na beirada da cadeira roendo as unhas esperando o que virá a seguir. Para quem ainda não conhece o maravilhoso mundo bruxo da escritora, esta é uma oportunidade e tanto para mergulhar nesse universo incrível e entender cada referência mínima que, para quem já conhece, é pura nostalgia.

ANIMAIS FANTÁSTICOS: OS CRIMES DE GRINDELWALD estreou nos cinemas brasileiros no último dia 15 de novembro.

*Texto por Bruno Carvalho

Título Original: Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald
Direção: David Yates
Canal/Produtora: Heyday Films, Warner Bros.
Ano: 2018
Avaliação: ★★★★★

Trailer:


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