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Resenha | Os Quase Completos - Felippe Barbosa



“O Impossível pode ser inalcançável, mas se confiamos nele, conseguimos fazer do nosso possível a melhor versão”

Sobre o livro

O Quase Doutor é um renomado cardiologista que passa os dias em um hospital, mas no fundo é um artista frustrado. A Quase Viúva é uma professora que está de licença do trabalho para ficar com o noivo, em coma após um grave acidente. O Quase Repórter é um jornalista decepcionado com a profissão que sofre há mais de um ano pelo suicídio da esposa. A princípio, a única coisa que essas pessoas têm em comum é a sensação de incompletude e de desilusão com a vida.  

Até que, um dia, o Quase Doutor é persuadido por um velho desconhecido a embarcar com ele em um ônibus rumo a uma jornada para se reconciliar com seu passado. Logo a viagem se transforma em uma aventura extraordinária e, em meio a fenômenos como uma chuva de estrelas cadentes, ele precisa fazer escolhas que mudarão seu destino para sempre.  

Enquanto isso, eventos misteriosos levam a Quase Viúva a suspeitar que alguém dentro do hospital quer matar seu noivo e uma pesquisa minuciosa do Quase Repórter revela que sua esposa pode ter sido assassinada. Quando os dois tentam descobrir a verdade sobre seus amados, tudo leva a crer que a resposta está dentro do ônibus do Quase Doutor.  

Reunidos num lugar que nunca imaginaram existir, os três serão forçados a enfrentar seus maiores medos e verão que, para se tornarem completos, precisarão encarar a batalha mais difícil de todas: aquela que travamos com nós mesmos.

Opinião pessoal

OS QUASE COMPLETOS, poderia facilmente ser considerado uma viagem rumo ao autoconhecimento.  

Felippe Barbosa criou uma narrativa leve e mágica que com um simples virar de páginas consegue te empurrar para um mistério que te deixa com um friozinho na barriga, até descobrir o segredo.  

Os personagens são ligados pela sua insatisfação com a vida, muitas vezes – deixado claro pelo autor -, deixam transparecer a falta de amor próprio.  

Por motivos diferentes, os três estão incompletos. O doutor preso em uma vida cômoda a qual sempre sustentou em prol da felicidade da família, mas para os outros serem felizes ele teve que abandonar o seu verdadeiro eu. Um artista preso no corpo de um homem que aceitou ser um cardiologista. A quase viúva se afunda no depressivo momento que o acidente do seu noivo trouxe, entre toda a bagunça, ela percebe que tomou caminhos na esperança de forçar as suas fantasias. E o quase repórter vê a sua carreira e vida indo pelo ralo depois de perder o amor da sua vida, mas na verdade ele está tão louco por respostas que não consegue deixar ir, não consegue mais encontrar o homem que ele foi um dia. 

Você é levado junto na viagem enquanto os três personagens se descobrem, em meio a tantas incertezas, mistérios, fenômenos inimagináveis, eles começam a se libertar de uma forma quase que natural, enfrentam os causos da vida conforme vão sendo apresentados e no fundo descobrem que tudo na vida tem um sentido.  

No fim, às vezes, coisas ruins acontecem para te levar ao lugar certo, talvez seja apenas as respostas que faltam para te fazer completo, chamando.

“- Vamos. Já estamos atrasados.
- Atrasados para que? Indaguei confuso.
Barfabel olhou para mim com o mesmo sorriso de sempre e murmurou:
- Para a vida com a qual você sempre sonhou.”

O autor lida de forma muito bonita com temas delicados, como saúde mental, já que os personagens estão por um fio, levando a vida da forma que dá, apenas “sobrevivendo”. Em meio a tantos erros e finais fatídicos, esses três descobrem que o que falta é uma dose de “autopreservação”, amor próprio, esperança e encontrar a felicidade plena quando se vive a vida que nasceu realmente para viver.

O que me agrada em histórias que flertam com a fantasia são as lições escondidas em cada detalhe de um “mundo” diferente criado pelo autor. Que guardam em baixo da sua mágica a chave de tudo e a grande sacada.

“ - Bom, como todo mundo, você possui objetivos. Existe um plano de vida esboçado em sua cabeça, uma espécie de modelo ideal de felicidade. E é onde se reúnem todos esses sonhos. De todas as suas escolhas, esse é o destino principal: seu Oitavo Reino.”

Um aviso, se apeguem aos detalhes, os personagens são bem construídos e guardam alguns segredinhos nas entrelinhas, esteja atento para desvendar os mistérios.

Sobre o autor

O Felippe Barbosa foi o grande vencedor do prêmio Polén de literatura, promovido pela editora Arqueiro e a empresa Polén - responsável pela produção do papel que alguns livros são impressos -, e com isso ganhou a publicação do seu livro “OS QUASE COMPLETOS”.

Esse é o primeiro romance do autor a ser publicado.

Felippe nasceu em Minas Gerais, tem 22 anos, é formado em direito e participa do canal Toga Voadora, junto com outros amigos.   



Título Nacional: Os Quase Completos
Autora: Felippe Barbosa
Editora: Arqueiro
Ano: 2018
Especificações: 382 páginas
ISBN: 9788580418132
Avaliação: ★★★★

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