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Crítica | Assassinato no Expresso do Oriente

Fomos conferir a incrível adaptação para o cinema do livro ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE, de Agatha Christie, que chega aos cinemas brasileiros no dia 30 de novembro.

Representar uma obra de Agatha Christie – uma das maiores escritoras e com mais obras vendidas de romances policial do mundo – é extremamente difícil, sem deixar a sua essência se perder, e a equipe de desenvolvimento do filme conseguiu esse feito com perfeição.

Kenneth Branagh, ator que deu vida a Hercule Poirot, mostrou suas diversas habilidades no cinema, pois além de atuar também foi responsável pela direção do filme. Ele contou com a ajuda de um time de peso, com Michael Green no roteiro e um elenco de dar inveja: Michelle Pfeiffer, Penélope Cruz, Daisy Ridley, Judi Dench, Johnny Depp, Josh Gad, Leslie Odom Jr, Willem Dafoe, Derek Jacobi, Lucy Boynton, Olivia Colman, Tom Bateman, Sergei Polunin e Marwan Kenzari.

Na história Treze personagens distintos e completamente diferentes sobem a bordo do luxuoso Expresso do Oriente, o trem responsável por levar passageiros da alta sociedade ao redor da Europa. Partindo de Istambul, o detetive Hercule Poirot embarca de última hora com a ajuda do responsável pelo Expresso, e seu amigo próximo, Bouc.

A paz da viagem acaba quando um dos passageiros é assassinado, depois de uma avalanche impedir que o trem continue a viagem. Bouc se desespera e precisa corrigir o problema na composição antes de chegarem à próxima estação, e evitar que o nome do Expresso do Oriente fique manchado.

Diante do problema, ele recorre ao único detetive em que confia para resolver o caso e que por sorte está a bordo. Poirot terá que correr contra o tempo e descobrir onde está a imperfeição do crime e encontrar o culpado.

Ele tem treze suspeitos e uma cena do crime alterada para dificultar o seu trabalho, e terá que juntar todas as provas possíveis, interrogar cada passageiro e dar o seu chute de sorte.

O ator Kenneth Branagh o encarnou de forma incrível o personagem, com seu TOC e perfeccionismo, atraindo a atenção e nos fazendo amar ainda mais o incrível Poirot. A narrativa utiliza como recurso a percepção apurada do detetive, que reconhece e detesta o que sai do padrão, dessa forma, ele consegue enxergar exatamente o que não se encaixa no todo da história.

Os personagens em geral são bastante caricatos, com suas personalidades e trejeitos particulares que encantam e cativam o público. Até o desenrolar do caso você não percebe nenhuma ligação entre eles ou com a vítima, tornando a resolução algo bem difícil e um verdadeiro desafio para Poirot.

Entre as características notáveis a história, podemos destacar a índole de Edward Ratchett (Johnny Depp) que parece ser o personagem mais claro e fácil de desvendar, os pequenos detalhes que Mary Debenham (Daisy Ridley) e Doutor Arbuthnot (Leslie Odom Jr.) revelam em sua primeira conversa com o detetive e o comportamento suspeito de Hector McQueen (Josh Gad) – conhecido por humor em cena, que nada afetou na obra.

A participação de Penélope Cruz no papel Pilar Estravados, uma personagem enigmática que pouco revela sobre seu passado, merecia maior destaque tanto por sua habilidade de interpretação, quanto pelas diversas opções de explorar a personagem. Mas não se enganem, a final ela também é uma dos 12 suspeitos.

Caroline Hubbard (Michelle Pfeiffer), Derek Jacobi (Edward Masterman), Willem Dafoe (Gerhard Hardman), Princesa Natalia Dragon (Judi Dench), Hildegarde Schmidt (Olivia Colman) e Biniamino Marquez (Manuel Garcia-Rulfo), foram personagens com interpretações incríveis, suspeitos como todos, mas que aparentam ser um pouco mais incapazes, já que te fazem sentir que não têm de forma alguma, uma ligação com a vítima.

A sensação que o filme traz é de que todos, inclusive Poirot, estão escondendo informações, principalmente porque a produção não oferece uma visão panorâmica dos acontecimentos, só é possível ver o que Poirot vê, sem a possibilidade de adentrar na cabeça do detetive para fazer as conexões certas.

O roteiro foi bem amarrado e conseguiu transmitir boa parte da mágica de cada personagem durante os 114 minutos, sem deixar faltar detalhes que são importantes para as descobertas de Poirot.

Particularmente amei a fotografia e figurinos, desde Harry Potter não me sinto tão dentro de um livro – e com um cenário tão fiel – como me senti em no Expresso do Oriente.

A utilização de flashbacks, planos abertos do trem e imagens dos ambientes com o vagão de refeições e do bar, ajudam no desenvolvimento da obra permitindo acesso ao passado e ao presente de forma muito bem construída, revelando diversas pistas importantes no desenrolar da história.

O longa faz com que os espectadores queimem muita massa cinzenta na tentativa de acompanhar os pensamentos e conclusões do detetive, tornando a obra dinâmica e rápida – diferente do livro, onde temos acesso as informações de forma mais detalhada.

Com um elenco incrível e enredo genial, não tem nem o que questionar, apenas vá ao cinema conferir ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE!

A sequência do filme já foi confirmada e acontecerá com uma mescla de Morte no Nilo, outra obra de Agatha Christie.

* Texto por Ana Caroline Moraes

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