CRÍTICA | Para Todos os Garotos que Já Amei

Leve, envolvente e divertido, um romance que vai conquistar seu coração

CUIDADO, este texto pode conter spoilers.

Nesta sexta-feira estreou na Netflix Para Todos os Garotos que Já Amei, longa baseado na história homônima de Jenny Han (lançada no Brasil pela Editora Intrínseca).

No filme somos apresentados a Lara Jean, uma jovem inteligente e bonita, mas que tem dificuldades para se relacionar. Por esse motivo, toda vez que se apaixona ela escreve uma carta para liberar seus sentimentos e a coloca no fundo do guarda-roupa - sem nunca ter a intenção de enviá-la.

Ao todo já foram cinco cartas escritas.

Em certo dia Lara descobre que suas cartas desapareceram e que foram enviadas para os respectivos destinatários. O que poderia ser uma situação divertida, logo se complica, pois uma das cartas é para o seu melhor amigo - e namorado de sua irmã - Josh.

Tentando escapar da situação embaraçosa, Lara Jean passa a fingir um relacionamento de mentira com Peter - um dos garotos que também recebeu uma das cartas -, com o objetivo de fugir de Josh e provocar ciúmes de Gen, a ex-namorada de Peter.

Atuação

O filme é estrelado pelos atores Lana Conor (Lara Jean) e Noah Centineo (Peter), que dão vida - de forma leve e descontraída - aos personagens tão bem conhecidos dos livros de Jenny Han.

Lana incorporou a Lara Jean tão perfeitamente, com direito a caras e bocas que divertem os espectadores e aproxima os fãs da história. Já Noah conseguiu ser tão encantador quanto o próprio Peter dos livros e construir um romance doce e envolvente.

Outro destaque foi a interpretação de Anna Cathcart (Kitty) que incorporou a irmã caçula de Lara Jean e ocupou um papel coadjuvante de estrema importância no longa.



Construção do romance

A narrativa pode ser interpretada com um típico romance com açúcar - a lá 'A Barraca do Beijo' e 'Duff' -, que aborda uma história tranquila e um tanto previsível, mas que promete conquistar corações.

A grande sacada da obra é mostrar que o amor pode aparecer nas situações mais simples do cotidiano - e dos lugares mais improváveis - nos estimulando a acreditar que um "felizes para sempre" na vida real é possível.


Diversidade

A aposta do Netflix em Para Todos os Garotos que Já Amei é um grande passo no universo cinematográfico ao exalta a beleza e talento de atores asiáticos e seus descendentes, indo de encontro ao estereótipo de atuação das tradicionais comédias e lutas de Jackie Chan e Jet Li.

Comparativo com o livro

Quando comparamos o longa com a versão literária encontramos alguns "pontos negativos", nada que destrua a experiência de assistir o filme, mas que valem a pena serem mencionados.

Senti falta da valorização da cultura Coreana da família Covey, que remete as origens de Lara Jean, sua ligação com a falecida mãe e a busca de identidade da própria personagem - que é tão bem apoiada pelo pai da jovem - e compartilhada com as irmãs.

Outra característica que define muito bem que é a Lara Jean é sua paixão pela culinária, deixada de lado no longa - ou por ser pano de fundo ou por não ter muito tempo em tela - que seria de grande importância para revelar as ansiedades, medos e ambições da personagem.

Josh, o "alvo dos problemas", acabou ficando em segundo plano, desmerecendo assim o motivo pelo qual Peter e Lara iniciam o relacionamento de mentira. Pensando como um espectador de primeira viagem, fiquei me questionando se a ligação entre Josh e Lara era tão intensa para ela criar todo "esse drama".

Os fãs dos livros podem assistir ao filme com a certeza encontrar um romance digno das telonas, já os experimentadores de Lara Jean e Peter, o filme é a certeza de diversão.



Título Original: To All The Boys I’ve Loved Before

Direção: Susan Johnson

Canal/Produtora: Netflix

Ano: 2018

Avaliação: ★★★★★
 

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