Crítica | O Jantar


O JANTAR, próxima estreia da California Filmes vai levar você à um sofisticado jantar, cheio de mistérios e surpresas a cada prato.

Baseado no best-seller homônimo de Herman Kock , o filme produzido por Oren Moverman e estrelado pelo eterno galã Richard Gere – acompanhado de Laura Linney, Steve Coogan e Rebecca Hall –, transforma um jantar sofisticado entre casais em uma guerra sobre valores e princípios contra o paternalismo.

A história dos irmãos Stan (Richard Gere) e Paul (Steve Coogan) é preenchida por frustrações e cicatrizes carregadas por anos, principalmente por Paul, que se sente frustrado sobre a criação diferente que ele recebeu e sobre os privilégios que acredita cercarem o irmão.

A relação tensa dos dois é colocada à prova quando Stan convida Paul e sua esposa para um jantar a fim de conversarem sobre alguns problemas familiares.  Entre um prato ou outro o passado é remexido e os casais tentam a todo custo adiar o sério assunto sobre os seus filhos adolescentes.


Ao longo da narrativa a personalidade de cada personagem começa a ficar evidente, culminando para uma “inversão de papéis”, onde quem parecia frio no início da história se revela muito mais sensível do que os personagens que demonstravam ser cordiais.  

Os adolescentes são peças fundamentais para o filme, pois seus atos interferem nas decisões e emoções de seus pais, levando-os ao limite. No desenvolver da obra começamos a perceber que as falhas dos filhos podem ser um reflexo dos atos dos pais, iniciando uma batalha para identificar quem é o mocinho, quem é o vilão e se algo realmente é justificável.


Desde o início, Moverman trabalhou com pequenas pistas do que seria apresentado ao longo do filme: o longa se inicia com um jogo de imagens, com várias cenas de pratos sofisticados. Mais tarde percebemos que algumas dessas imagens são partes estruturais do filme, com aparecimentos recorrentes. Nesse momento nos encontramos em um quebra-cabeça, procurando por essas imagens em todas as cenas e tentando dar sentido a elas.

A história é dividida por fases, como uma refeição em um restaurante sofisticado. Ela começa com o aperitivo, passando para a entrada, prato principal, queijos, sobremesa e o digestivo, dando grande importância aos pratos e revelando pequenas pistas que te fazem entender o prato principal.

O diretor trabalhou com quatro cenários diferentes, utilizando recursos como a narração de Paul, flashbacks e trechos de momentos históricos (como a “Batalha de Gettysburg”). O longa não segue uma linha do tempo continua e nesse momento o telespectador tem que colher as provas para juntar o passado e o presente, com as batalhas mentais de Paul e o que vem acontecendo com os filhos adolescentes dos irmãos.


O filme é complexo e precisa de muita compreensão e imaginação do expectador para entender e apreciá-lo.

Então se você gosta de ir recolhendo as pistas cuidadosamente, aprecia entender a complexidade de um roteiro ou quer captar a mensagem que o diretor realmente está querendo passar, então esse é o seu filme.

O JANTAR acaba sendo bem reflexivo, tratando de assuntos como a saúde mental, família, princípios e, principalmente, sobre a diferença de vantagens entre classes sociais. O quão longe alguém pode chegar para defender sua família.

Confira o depoimento dos atores Richard Gere e Laura Linney sobre o filme:

Gere diz:
“Existe a sensação que, no fim, vou proteger os meus – aqueles que parecem comigo, falam como eu, mesma linguagem, que vêm do mesmo lugar, aqueles com os quais partilhamos uma história. Os que restam são os outros. Deixe que se preocupem com eles mesmos”.

Linney diz:
“Não é o melhor da natureza humana o que se pode observar nesta história. Existe uma sensação selvagem de auto centrismo que está crescendo. Quando existe justificativa para tudo, isso torna a conversa muito difícil”.

Título Original: The Dinner
Direção: Oren Moverman
Canal/Produtora: The Orchard, California Filmes
Ano: 2017
Avaliação: ★★★



* Texto por Ana Caroline Moraes

Postar um comentário

0 Comentários

Ad Code